Marcello Anthony e a questão da bissexualidade

O ator Marcello Anthony, cujo personagem em “Amor à Vida” mostrou ter desejo e a possibilidade de se apaixonar tanto por homens quanto mulheres, causou polêmica nas redes sociais desde que declarou num programa de rádio, em 24.01.2014, que não existe bissexualidade:

Em entrevista ao programa de rádio na internet Lado Bi, o ator declarou que “todo bissexual, no fundo, é homossexual”. Bissexuais se manifestaram contra a declaração do intérprete do bissexual Eron em Amor à Vida.

Bissexual assumida, a atriz Bia Garbelini, 25, definiu como “absurda” a opinião do ator. Para ela, ao negar a bissexualidade, Antony age consequentemente para a invisibilidade da orientação sexual:

“Pessoas famosas não podem dar declarações como essa sem avaliar o impacto que tem. Eu achei absurda a declaração, não só pelo que foi dito, mas também por vir de um homem cisgênero, branco e hétero, que está no topo da cadeia de privilégios”, disse. “O Antony é, infelizmente, uma espécie de formador de opinião e do alto dos seus privilégios, contribui para a invisibilização da bissexualidade”, concluiu.

O estudante universitário Renato Santos, 18, também bissexual, critica a necessidade da sociedade, como fez o ator, em julgar as pessoas sem o conhecimento necessário para isso:

“Somos antropocêntricos a ponto de dizer que aquilo ou isso não existe. É como dizer que Deus não existe. Será que existe? E a bissexualidade? Existe? Eu sinto atração por homens e mulheres, então sou o quê? Freud disse em sua teoria que todo ser humano é bissexual. E eu creio nisso. Não me apaixono pelo gênero, mas pela pessoa. O ser humano é complexo em sua normalidade, e compreendê-lo em sua totalidade nunca será possível”, disse o jovem.

“Dizer que a bissexualidade não existe é impor uma verdade pessoal a uma sociedade repleta de diversidade e isso não cabe em uma sociedade que diz pregar a liberdade”, concluiu o rapaz.

O produtor cultural Tarso de La Red, 23 anos, já foi noivo de uma mulher e hoje vive em um relacionamento com um homem. Ele afirma ser o mesmo o desejo sexual que sente por homens e por mulheres:

“Minha atração é a mesma, o mesmo tesão, o mesmo sentimento. Bissexualidade está ligado a amar o humano independentemente do sexo”.

Tarso lembrou ainda a liberdade sexual na Roma Antiga, onde imperadores bissexuais, como Nero, casaram-se com outros homens. Em um das ocasiões, no matrimônio com Pitágoras, o imperador se casou trajado como uma noiva. Já em outro casamento, com Sporus, mandou castrar o rapaz.

Nas postagens no Facebook, bissexuais repetiam “Existimos sim” e “Bifobia!” em protesto contra a negação da bissexualidade pelo ator global. O usuário do “Face” Dagoberto Arnaut lembrou o estudo do biólogo Alfred Charles Kinsey que apontou 11 gradações de orientações sexuais que vão desde indivíduo 100% homossexual até o 100% homossexual. Em seu estudo, Kinsey afirmou que 46% dos homens apresentam tanto atividades homossexuais como homossexuais ao longo da vida. Ele rejeitava o termo bissexual, acreditando em uma fluidez da orientação sexual entre o início e o fim de um indivíduo.

Para a atriz Bia Garbelini, Antony repetiu uma das ideias errôneas que a sociedade faz acerca da bissexualidade. Um preconceito comum, segundo ela, é o de achar que bissexuais estão sempre dispostos a relações sexuais com várias pessoas, as surubas ou bacanais:

“Como se nossa capacidade de sentir atração ou afeto por ambos os sexos nos tornasse dispostas a tudo e com qualquer um. Isso vem principalmente dos homens que se transformam em lobos famintos assim que sabem de nossa orientação”.

Outro conceito equivocado, de acordo com Bia, é o que bissexuais podem escolher o gênero por qual sentir atração. Mãe de uma menina de seis anos, ela ouviu de pessoas próximas o conselho de que deveria dar um novo pai para a criança, escolhendo alguém do sexo masculino para um relacionamento:

“Como sou mãe, fui aconselhada a escolher apenas relacionamentos heterossexuais, pelo bem da minha filha. Isto é de uma ignorância tremenda! Assim como qualquer outra pessoa, nossos sentimentos não são selecionáveis e direcionáveis”, comentou.

Leia mais clicando aqui.

Inúmeros comentários, boa parte deles de cunho homofóbico, podem ser lidos neste link do jornal O Dia:

http://blogs.odia.ig.com.br/lgbt/2014/01/24/nao-existe-bissexual-diz-marcello-antony-em-programa-de-webradio/

Leia também:
Jogador da seleção brasileira de volei causa polêmica com post homofóbico – Maurício Souza chegou a ser chamado de “Marcos Feliciano do vôlei” por alguns de seus seguidores na rede social

~ por Tommy Beresford em janeiro 27, 2014.

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